Olá caros leitores alienados! Tive a honra de entrevistar Leandro Copperfield, o brasileiro cinéfilo que vem fazendo sucesso com seus vídeos no YouTube, onde faz mashups entre cineastas famosos como Stanley Kubrick, Quentin Tarantino, Martin Scorsese e os Irmãos Coen. Caso não conheçam o trabalho dele, vejam nesse post. Agora vamos ao que interessa:
• Quantos anos você tem, onde mora e o que faz?
Meu nome é Leandro Braga Perluxo, (o ‘Copperfield’ eu tirei de um livro do Charles Dickens). Tenho 21 anos, moro em Nova Iguaçu, RJ. E estou cursando o 5º período da faculdade de Direito.

• Como surgiu a ideia dos mashups de Tarantino contra os Irmãos Coen e de Scorsese contra Kubrick?
Bem, eu sempre gostei de cinema, cresci vendo todos aqueles filmes que passavam na Sessão da Tarde na década de 90. Gravava um monte deles em VHS, acordava escondido de madrugada pra ver westerns etc… Mas o que realmente me fez ter a idéia de fazer os mashups, foram aquelas montagens bem editadas e com cortes rápidos que passam todo ano no Oscar. Aquilo sempre foi a melhor coisa da cerimônia pra mim. Não me importava em ver as estrelas ou ouvir as piadinhas, e sim em ver aquela varredura de imagens,sons e movimento, me lembrando a cada frame o quanto eu gosto de cinema.
• Foram os primeiros vídeos desse tipo que você fez?
Não, já tinha feito outros, mas nunca publiquei. Sergei Eisenstein em seu ensaio “Word and Image” descreveu cinco tipos de montagem: a métrica, rítmica, tonal, associativa, e intelectual. E eu sou simplesmente fascinado pela montagem rítmica, desde que vi Stanley Kubrick brincando com a música clássica e os movimentos dos atores, tudo com a interação perfeita dos instrumentos, me apaixonei por esse tipo de montagem. Era um pouco de Beethoven aqui, Friedrich Händel lá, o cara realmente estava brincando com a trilha sonora em seus filmes, incrível.
• Quanto tempo levou para fazer os vídeos?
A edição foi rápida, demorei algumas horas. Pois nunca me sento pra editar sem saber exatamente o que eu vou fazer…’onde vai isso e onde vai aquilo’, primeiro eu escolho as músicas, em seguida vou montando o vídeo na minha cabeça. Porém devido a lentidão do meu computador, com seus “incríveis” 1 GB de memória ram, o processo de conversão dos filmes foi realmente muito demorado. E pra assistir a toda filmografia do Kubrick e Scorsese demorei mais ou menos uns 22 dias. Tenho o hábito de assistir a um ou dois filmes todo dia de madrugada.
• Que tipo de retorno você vem tendo por conta dos vídeos?
Financeiro… nenhum. Todos foram feitos por diversão e falta do que fazer mesmo. A parte engraçada disso é que tem inúmeros sites fora do Brasil que estão publicando meus vídeos falando e pensando que eu sou um editor profissional.
• Quando colocou no YouTube, imaginou que ia ter essa repercussão? (até a revista New York publicou seus vídeos no site)
Não mesmo. Fiquei muito surpreso. Nada foi premeditado. Eu fiz os vídeos porque eu queria vê-los mais do que ninguém. Não sabia que tinha tanta gente que gostava disso como eu. E são poucas as pessoas que param para ver um vídeo de quase 8 minutos. Fiquei espantado no ínicio quando vi meu vídeo sendo postado no blog pessoal do Pablo Villaça, um dos maiores críticos de cinema do Brasil.
Enfim, é muito gratificante ver meus vídeos sendo postados em sites de cinema e blogs pelo mundo afora. Coisas assim só tornam mais fácil o trabalho de ficar editando um vídeo por 9…10 horas sem remuneração
• Qual programa de edição de vídeo você usa?
Adobe Premiere Pro CS3, Sound forge Pro e Mkvmerge.
• Que seus vídeos são muito bem editados não tem como negar, você fez algum curso de edição ou aprendeu “na marra”?
Nunca fiz curso de nada relacionado ao cinema. Não me considero um editor de verdade, e sim um observador, não inventei ou revolucionei em nada nos meus vídeos. É só você reparar bem nas montagens dos filmes do Stanley Kubrick e nas edições dos filmes do Scorsese que são feitas pela minha montadora favorita (Thelma Schoonmaker), que você vai encontrar tudo o que eu fiz lá. O que acontece é que muitas pessoas não percebem isso. Muita gente diz que um filme bem editado você não deve ser capaz de perceber a edição, acontece que pra mim é completamente ao contrário, eu penso é que você tem que se divertir com ela.
• Você tem o hábito de assistir de um a dois filmes de madrugada em sua casa, mas e o hábito de ir ao cinema, você tem?
Vou muito pouco, o cinema onde eu moro é horrível, a maioria dos filmes que eu quero assistir nunca entram em cartaz aqui.
• Até agora, qual o filme que mais gostou de 2010 e qual o mais esperado por você?
Vi muito poucos de 2010 ainda, mas fico com Shutter Island do Scorsese. O mais esperado por mim com certeza é o ramake do western ‘True Grit’ dos irmãos Coen, mas acho que só chega aqui no Brasil ano que vem.
• Você tem vontade de fazer um mashup com animações? Por exemplo, juntar em um vídeo tudo que a Pixar fez até hoje.
Porra, você roubou minha idéia, haha. Assim que subiram os créditos finais de Toy Story 3, o primeiro pensamento que eu tive, foi o de fazer um tributo à Pixar.
• Você tem uma trilha sonora preferida?
Sim, a de Ennio Morricone em The Good, the Bad and the Ugly. Mas não só a desse filme. Sou apaixonado por qualquer trilha e filme que tenha: Ennio Morricone + Sergio Leone. Na minha opinião, essa foi a maior dupla que o cinema já teve.
E recentemente a trilha sonora de Jonny Greenwood (Radiohead) feita para o filme Sangue Negro (P.T. Anderson) é mais que perfeita. É a solidão personificada.
• Você é fascinado por filmes, mas gosta de séries, animes e etc também?
Sim, gosto pra caralho de The Office (EUA), Dexter, Lost, Two and a Half Men e por aí vai…
• Quais filmes e diretores estrangeiros (fora de Hollywood) você mais gosta?
Ah, são muitos. Qualquer filme do Chan-wook Park (o cara é um maestro da câmera), Fellini (La Dolce Vita, 8½, Amacord…), Truffaut, Kurosawa, Tarkovski, Bergman…
E vocês leitores, o que acharam da nova coluna de entrevistas e da entrevista com o Leandro? Não deixem de comentar com a sua opinião!
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